Inúmeras considerações de ordem higiénica poderiam aqui ser colocadas, mas o que importa realçar é que a utilização desta expressão para designar aquele que nada faz na vida, não podia estar mais errada. Em bom português, esta expressão não vale um cu.
Desde logo, o acto de roçar o traseiro numa esquina pressupõe trabalho: primeiro, há que encontrar uma esquina a jeito, pois nem todas servem, há as que acabam numa montra arredondada e portanto, tecnicamente, não tem esquina; as que estão obstruídas por caixas de derivação da EDP, etc.
Depois, há que encontrar o ponto certo de encaixe entre a nalga e a esquina, e fazer todo um trabalho de genuflexão, que obriga os músculos das pernas a estarem bem oleados.
Não nos iludamos! Esta expressão quer mesmo dizer o contrário daquilo para que é usada e, mesmo perante a hipótese de masoquismo, decerto o sujeito tratará de encontrar outros locais mais agradáveis para roçar, que não as esquinas.
27.3.11
AINDA NÃO SABES DA MISSA A METADE
Diz-se que foi usada pela primeira vez há cerca de 2000 anos, segundo registam os anais da história, por um tal de JC, aquando da primeira celebração de uma missa, na altura em que os fiéis se levantavam para ir embora tendo apenas ouvida a primeira oração : "Pessoal! ainda não sabeis da missa a metade!..."
Normalmente é usada para designar o desconhecimento que alguém tem acerca de determinado ponto. E é aqui que bate o ponto.Desde logo, pela discriminação daquele que não sabe da missa a metade. Perpassa por aqui uma espécie de estigma sobre aquele que ignora, politicamente incorrecto nos tempos actuais, já que está cientificamente comprovado que quando uma pessoa não sabe de um assunto a culpa nunca é sua - pode ser do professor, do programa lectivo muito extenso, dos horários sobrecarregados, da falta de instalações condignas, dos livros pedagogicamente incorrectos, etc, etc, sendo isto válido tanto para a matemática como para a missa, matéria aliás da exclusiva competência dos clérigos, logo, pessoas com acesso privilegiado a "inside information" em matérias não ao alcance do comum dos mortais.
Normalmente é usada para designar o desconhecimento que alguém tem acerca de determinado ponto. E é aqui que bate o ponto.Desde logo, pela discriminação daquele que não sabe da missa a metade. Perpassa por aqui uma espécie de estigma sobre aquele que ignora, politicamente incorrecto nos tempos actuais, já que está cientificamente comprovado que quando uma pessoa não sabe de um assunto a culpa nunca é sua - pode ser do professor, do programa lectivo muito extenso, dos horários sobrecarregados, da falta de instalações condignas, dos livros pedagogicamente incorrectos, etc, etc, sendo isto válido tanto para a matemática como para a missa, matéria aliás da exclusiva competência dos clérigos, logo, pessoas com acesso privilegiado a "inside information" em matérias não ao alcance do comum dos mortais.
AINDA A PROCISSÃO VAI NO ADRO
Embora utilizada como sinónimo de algo que ainda está no começo, se as pessoas pararem um minuto para pensar (sim, eu sei que é muito), vão chegar, mais uma vez, à conclusão que esta é uma frase feita que não tem nada de especial.
Por definição da Grande Enciclopédia Universal, "adro" é o terreno aberto ou murado em frente ou à volta das igrejas.
Ora, se ele é murado, é bom de ver que a procissão nunca chega a sair do adro, pelo que não faz sentido dizer que ela ainda ali vai.Se, por outro lado, o adro é aberto e a procissão ainda ali vai, das duas uma: ou já saiu tarde e a culpa será do padre que esteve entretido a fumar uma beata ou porventura do sacristão que não apresentou o andor a tempo e horas; ou saiu à hora mas ainda vai no adro porque os fiéis não têm mais o que fazer e arrastam os pés vagarosamente, talvez porque a maioria dos peregrinos tenham problemas de artrite reumatóide.
Em qualquer dos casos, como se vê, a expressão em si mesma não informa nada de relevante.
Por definição da Grande Enciclopédia Universal, "adro" é o terreno aberto ou murado em frente ou à volta das igrejas.
Ora, se ele é murado, é bom de ver que a procissão nunca chega a sair do adro, pelo que não faz sentido dizer que ela ainda ali vai.Se, por outro lado, o adro é aberto e a procissão ainda ali vai, das duas uma: ou já saiu tarde e a culpa será do padre que esteve entretido a fumar uma beata ou porventura do sacristão que não apresentou o andor a tempo e horas; ou saiu à hora mas ainda vai no adro porque os fiéis não têm mais o que fazer e arrastam os pés vagarosamente, talvez porque a maioria dos peregrinos tenham problemas de artrite reumatóide.
Em qualquer dos casos, como se vê, a expressão em si mesma não informa nada de relevante.
7.3.11
ACORDAR COM OS PÉS DE FORA
Esta é, passe o pleonasmo, uma expressão sem pés nem cabeça. Por um lado, acordar significa, a maior parte das vezes, conciliar, estar de acordo ou resolver de acordo – então, o que raio é estar de acordo com os pés de fora??? É dar um aperto de mão, fazendo figas atrás das costas?
Por outro lado, se se entender acordar como sinónimo de despertar, então estaremos a abrir a pestana com os pés de fora porquê? A manta carece de comprimento? A cama é curta face ao tamanho dos presuntos? E porquê acordar com os pés de fora e não com outra qualquer parte do corpo? Quem dorme com os pés para o lado da cabeça, acaso corre o risco de acordar com a cabeça de fora? E se o fizer, será que não teve motivos para isso?
Em conclusão, esta é uma expressão que devia levar com os pés e ficar fora da língua portuguesa.
Por outro lado, se se entender acordar como sinónimo de despertar, então estaremos a abrir a pestana com os pés de fora porquê? A manta carece de comprimento? A cama é curta face ao tamanho dos presuntos? E porquê acordar com os pés de fora e não com outra qualquer parte do corpo? Quem dorme com os pés para o lado da cabeça, acaso corre o risco de acordar com a cabeça de fora? E se o fizer, será que não teve motivos para isso?
Em conclusão, esta é uma expressão que devia levar com os pés e ficar fora da língua portuguesa.
A VERDADE, TAL COMO O AZEITE, VEM SEMPRE AO DE CIMA
O primeiro aspecto que importa corrigir nesta farsa que tem sido passada de geração em geração, é que nem só a verdade e o azeite vem ao de cima. Outras coisas, como o preço dos combustíveis, o vómito na garganta do bêbado ou a saia da Marilyn Monroe sobre a grelha do metro, apenas para citar alguns exemplos, vêm também ao de cima sem andarem constantemente a serem mencionados.
O segundo aspecto a corrigir, é a difusão de que o primado da verdade está acima de todos os outros. Ora este é um conceito perigoso se levado demasiado à letra – é que verdade traz consigo conceitos como o da honestidade ou o da ética, bastante difundidos até meados do século passado, mas que, hoje em dia, estão bastante ultrapassados.
Coitada da sociedade onde os cidadãos esperem apenas a verdade, se regulem com honestidade e se rejam com ética. Será uma sociedade condenada a acreditar em mistificações absurdas como, por exemplo, o conceito de justiça!
Tenhamos piedade de um povo assim.
O segundo aspecto a corrigir, é a difusão de que o primado da verdade está acima de todos os outros. Ora este é um conceito perigoso se levado demasiado à letra – é que verdade traz consigo conceitos como o da honestidade ou o da ética, bastante difundidos até meados do século passado, mas que, hoje em dia, estão bastante ultrapassados.
Coitada da sociedade onde os cidadãos esperem apenas a verdade, se regulem com honestidade e se rejam com ética. Será uma sociedade condenada a acreditar em mistificações absurdas como, por exemplo, o conceito de justiça!
Tenhamos piedade de um povo assim.
27.2.11
A PENSAR MORREU UM BURRO
Mas será que ninguém vê a vacuidade desta expressão?
A quem será que interessa saber como morreu o burro, senão ao médico legista? Em que é que essa informação contribui mais para a felicidade de um cidadão do que, por exemplo, saber a taxa de fecundidade dos organismos unicelulares?
Segundo ponto: os burros não possuem formas específicas de morte só pelo facto de serem burros. Tal como os humanos, e há casos de espécimes que acumulam as duas naturezas, um burro tanto pode morrer a pensar, como a dormir, a comer ou a conduzir em contra-mão no IP5.
Terceira questão: esta é mais de carácter filosófico mas, será mais digno um burro que, apesar de o ser, morre a pensar ou um pensador que morre por fazer uma burrice? Esta é uma questão que deixo à meditação do leitor, para que se perceba o quanto estas expressões, ditas populares, podem ser enganadoras no seu sentido. Se não servir à meditação, espera-se mesmo assim que esta questão sirva como indutora de sono para quem não o tem.
A quem será que interessa saber como morreu o burro, senão ao médico legista? Em que é que essa informação contribui mais para a felicidade de um cidadão do que, por exemplo, saber a taxa de fecundidade dos organismos unicelulares?
Segundo ponto: os burros não possuem formas específicas de morte só pelo facto de serem burros. Tal como os humanos, e há casos de espécimes que acumulam as duas naturezas, um burro tanto pode morrer a pensar, como a dormir, a comer ou a conduzir em contra-mão no IP5.
Terceira questão: esta é mais de carácter filosófico mas, será mais digno um burro que, apesar de o ser, morre a pensar ou um pensador que morre por fazer uma burrice? Esta é uma questão que deixo à meditação do leitor, para que se perceba o quanto estas expressões, ditas populares, podem ser enganadoras no seu sentido. Se não servir à meditação, espera-se mesmo assim que esta questão sirva como indutora de sono para quem não o tem.
A MONTANHA PARIU UM RATO
Sendo as “pedras parideiras”, comuns na serra da Lousã, o único fenómeno geológico cientificamente comprovado que faz nascer pedras, esta expressão é uma clara fraude imposta às nossas crianças.
Veja-se como ela é absurda, até de um ponto de vista matemático: diz-se que a montanha pariu UM rato e não uma ninhada, que é a forma natural de nascimento destes roedores. Logo, para parir uma quantidade de ratos suficiente para abastecer os laboratórios de investigação de todo o mundo, imagine-se a cordilheira de montanhas que não seria necessário! Outra questão por explicar: se a montanha pare um rato, quem ou quê pare as ratas?
Para lá de todo este embuste linguístico, pretende-se também fazer crer que a expressão é sinónimo de algo que promete muito, acabando por produzir pouco resultado. Ora, um rato, não é sinónimo de pouco – veja-se o caso do rato Mickey, hoje por hoje, uma das maiores fortunas da indústria do entretenimento.
Veja-se como ela é absurda, até de um ponto de vista matemático: diz-se que a montanha pariu UM rato e não uma ninhada, que é a forma natural de nascimento destes roedores. Logo, para parir uma quantidade de ratos suficiente para abastecer os laboratórios de investigação de todo o mundo, imagine-se a cordilheira de montanhas que não seria necessário! Outra questão por explicar: se a montanha pare um rato, quem ou quê pare as ratas?
Para lá de todo este embuste linguístico, pretende-se também fazer crer que a expressão é sinónimo de algo que promete muito, acabando por produzir pouco resultado. Ora, um rato, não é sinónimo de pouco – veja-se o caso do rato Mickey, hoje por hoje, uma das maiores fortunas da indústria do entretenimento.
20.2.11
A CONVERSA NÃO CHEGOU À COZINHA
Impõe-se perguntar: mas não chegou, porquê? A cozinha é muito longe? É à prova de som?
Desde logo o senso comum contradiz esta expressão: por um lado, se as conversas são como as cerejas, então o lugar mais natural para elas estarem será na cozinha; por outro, conversa é sinónimo de cavaqueira, palavreado, conversação, também conhecida como a nobre arte de dar à língua, desde tempos imemoriais praticada pelas mulheres, cujo lugar natural de exercício de cidadania é, lá está!, a cozinha. Chegamos assim à conclusão oposta daquela que a expressão pretende fazer crer, ou seja, a conversa já está na cozinha!
De resto, e por exclusão de partes, verifica-se que a conversa não deverá estar noutras divisões da casa: no quarto de dormir serão de adoptar os gemidos/gritos; na casa-de-banho usam-se os sons guturais condizentes com a disposição do intestino ou, quando muito, canta-se no chuveiro; na sala de estar, telenovelas e jogos do Benfica não admitem conversas frente ao televisor. Resta a cozinha.
Desde logo o senso comum contradiz esta expressão: por um lado, se as conversas são como as cerejas, então o lugar mais natural para elas estarem será na cozinha; por outro, conversa é sinónimo de cavaqueira, palavreado, conversação, também conhecida como a nobre arte de dar à língua, desde tempos imemoriais praticada pelas mulheres, cujo lugar natural de exercício de cidadania é, lá está!, a cozinha. Chegamos assim à conclusão oposta daquela que a expressão pretende fazer crer, ou seja, a conversa já está na cozinha!
De resto, e por exclusão de partes, verifica-se que a conversa não deverá estar noutras divisões da casa: no quarto de dormir serão de adoptar os gemidos/gritos; na casa-de-banho usam-se os sons guturais condizentes com a disposição do intestino ou, quando muito, canta-se no chuveiro; na sala de estar, telenovelas e jogos do Benfica não admitem conversas frente ao televisor. Resta a cozinha.
A COISA ESTÁ A FICAR (FEIA/PRETA)
Esta expressão é tão falha de objectividade que deveria, desde logo, ser banida da língua portuguesa.
Será que a coisa fica preta por falta de higiene? Será que dizer que a coisa fica preta, como sinónimo de algo que vai mal, não denota uma tendência racista? Tudo o que é preto é mau? Então e o Eusébio? E o bolo do caco da Madeira?
Por outro lado, se a coisa está a ficar feia isso pode apenas ser um sinal de envelhecimento. É consensual que, com o avançar da idade, não vamos ficando mais bonitos, o que tornaria esta expressão numa máxima de La Palice, ou seja, a constatação do óbvio, não tendo valor de per si e não valendo mais do que um bordão de conversa mole, se quisermos, uma muleta, senão mesmo, uma canadiana.
Sendo canadiana, elimine-se pois da língua portuguesa.
Será que a coisa fica preta por falta de higiene? Será que dizer que a coisa fica preta, como sinónimo de algo que vai mal, não denota uma tendência racista? Tudo o que é preto é mau? Então e o Eusébio? E o bolo do caco da Madeira?
Por outro lado, se a coisa está a ficar feia isso pode apenas ser um sinal de envelhecimento. É consensual que, com o avançar da idade, não vamos ficando mais bonitos, o que tornaria esta expressão numa máxima de La Palice, ou seja, a constatação do óbvio, não tendo valor de per si e não valendo mais do que um bordão de conversa mole, se quisermos, uma muleta, senão mesmo, uma canadiana.
Sendo canadiana, elimine-se pois da língua portuguesa.
* EDITORIAL
Caro cibernauta,
Já alguma vez pensou naquelas expressões que se dizem diariamente sem, no entanto, ter consciência daquilo que está a dizer?
Se não pensou, devia. Porque geralmente, estará a dizer asneiras.
Felizmente, decidi elucidá-lo para que mais ninguém o chame de asno, dissimuladamente. Veja-me como um paladino da causa "anti-expressões idiomáticas", que mais não são do que versões ignóbeis e preguiçosas de uma afirmação, que apenas revelam a falta de esforço intelectual de quem as profere.
Enfim, poderão também significar outras coisas, mas se espera que eu me vá debruçar sobre elas...pode tirar o cavalinho da chuva.
Já alguma vez pensou naquelas expressões que se dizem diariamente sem, no entanto, ter consciência daquilo que está a dizer?
Se não pensou, devia. Porque geralmente, estará a dizer asneiras.
Felizmente, decidi elucidá-lo para que mais ninguém o chame de asno, dissimuladamente. Veja-me como um paladino da causa "anti-expressões idiomáticas", que mais não são do que versões ignóbeis e preguiçosas de uma afirmação, que apenas revelam a falta de esforço intelectual de quem as profere.
Enfim, poderão também significar outras coisas, mas se espera que eu me vá debruçar sobre elas...pode tirar o cavalinho da chuva.
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